Diretora fala sobre a pré-Estreia em Floripa!

Às 20h desta próxima quarta-feira, 31 de Janeiro, se dará a pré-estreia do nosso curta-metragem "Apenas o que você precisa saber sobre mim". O evento é uma realização da Novelo e do MIS/SC e será no Cinema do CIC, gratuito, com presença do elenco e da equipe para um bate-papo com o público. Também contará com uma exibição com acessibilidade contendo libras, legendas descritivas e áudio-descrição.  

O filme é viabilizado através do Prêmio Catarinense de Cinema,Prêmio Catarinense de Cinema e conta a história de Laura e Fábio, dois adolescentes que se conhecem depois de um esbarrão
na pista de skate. A narrativa condensa os universos da adolescência, do skate e da transexualidade ao abordar temas como relacionamento, amadurecimento, gênero e empoderamento. Quem assina a direção é a estreante Maria Augusta V. Nunes, sócia da Novelo, que já é roteirista em "Quem Não Tem Cão", "A Menina Só" e "Flecha Dourada", além de outros projetos em desenvolvimento. Maria compartilha aqui no blog um pouco sobre sua primeira experiência como diretora. 

Maria com o elenco principal do filme, Alice Doro, Aleff Resler e Rafael Gregório. Foto: Cíntia Domit Bittar.

Maria com o elenco principal do filme, Alice Doro, Aleff Resler e Rafael Gregório. Foto: Cíntia Domit Bittar.

Você também é roteirista do filme, o que a motivou a contar essa história?
"Apenas o que você precisa saber sobre mim" é minha estréia como diretora, mas a história do filme já vinha sendo trabalhada há alguns anos. O que me motivou a escrever uma história que trouxesse a questão da transexualidade foi dar visibilidade a esse tema que é extremamente delicado em nosso país, afinal o Brasil é o país que mais mata pessoas trans do mundo. Decidi trabalhá-lo dentro do universo da adolescência para poder gerar um diálogo com o público também nessa faixa etária, em formação, pois acredito que ao colocar a questão em discussão começaremos a desconstruir os preconceitos. Algo que foi muito importante para mim quando retrabalhei o roteiro que seria filmado foi entrar em um processo de pesquisa e diálogo com pessoas trans, bem como participar de discussões e eventos que abordassem o tema. Isso porque eu estava falando de um lugar que não é  aquele da minha vivência e representar o "outro" é sempre algo extremamente delicado. O que também me ajudou bastante nesse processo foi o diálogo com a Alice, a protagonista do filme, que é uma menina trans e compartilhou comigo suas experiências.

Porque escolher um atriz trans para interpretar a protagonista?
Nós sabemos que existe uma grande dificuldade para as pessoas trans se inserirem no mercado de trabalho, inclusive para as atrizes e atores trans, essa foi um dos fatores principais da minha escolha. Ter uma atriz trans também potencializou a representatividade dessas mulheres e meninas que precisam enfrentar diariamente uma luta por visibilidade, por aceitação. Outro fator que contou bastante nessa escolha, como já mencionei, foi querer ter alguém que trouxesse sua vivência para a construção da personagem. Isto agregou imensamente não só a personagem da Laura, mas ao projeto como um todo.

Como foi para formar o elenco?
O processo de seleção se deu sobretudo nas redes sociais, fizemos um post no facebook com uma chamada aberta para todo o Brasil e por sorte encontramos a Alice, que vive em Floripa. Foi essencial tê-la como protagonista pois ela trouxe muitas coisas de sua vivência que ajudaram na construção da personagem e também da história. Enquanto que para selecionar o personagem do Fábio, que contracena com ela, usamos o mesmo método, fizemos uma chamada no facebook e depois de muitos testes encontramos o Aleff, um skatista de dezessete anos que mesmo sem ter experiência como ator encarou o desafio de fazer o filme e acabou me surpreendendo positivamente. Trabalhar como não atores foi um processo interessante e desafiador. Sempre conversamos muito, discutimos sobre o tema e abordagem do filme e durante os ensaios dei a eles a liberdade de trazer para os personagens aquilo que era de sua vivência. 

Qual o maior desafio que você encontrou ao dirigir um curta-metragem pela primeira vez?
O que mais me desafiou nessa primeira experiência como diretora foi conseguir encontrar uma linguagem que fosse coerente com a história que eu estava contando, para enfim transformá-la em imagem. Conversar com todos os departamentos do filme para que essa linguagem estivesse impressa em cada um deles criando uma unidade foi também bastante desafiador. Mas o que mais me marcou foi a experiência dentro do set, conseguir contornar as adversidades que apareciam durante as gravações, entender que algumas coisas previamente pensadas poderiam não funcionar e encontrar outras soluções durante o processo me fez ver que o filme se modifica constantemente e seguirá se modificando inclusive depois de pronto, quando entrar em diálogo com o público.

O que você espera da primeira sessão da exibição do filme? Qual a importância de promover uma sessão com acessibilidade?
Nessa primeira sessão eu espero que a história que eu quis contar consiga tocar o espectador e que a partir de então o filme se dissemine, gere diálogo, coloque a discussão da questão trans em pauta. Por isso a sessão com acessibilidade é tão importante também, queremos que todos tenham a oportunidade de ter contato com filme, como aliás deveria ser com todos os filmes. Por isso espero que sejam feitas cada vez mais exibições que contemple o público com deficiência auditiva e visual. Afinal o cinema é, ou ao menos deveria, ser feito para todos.

/// SERVIÇO
O quê: Pré-estreia do curta "Apenas o que você precisa saber sobre mim", com sessões tradicional e acessível.
Quando: 31/01/2018 (quarta-feira) às 20h (versão acessível) / 20h30 (versão tradicional)
Onde: Cinema do Centro Integrado de Cultura (CIC) - Av. Gov. Irineu Bornhausen, 5600,
Agronômica, Florianópolis (SC)

Nos vemos lá, pessoal! 
Equipe NVL

Novelo FilmesComment