"Flecha Dourada" na 21º Mostra de Cinema de Tiradentes

Num telão armado em uma praça para mil espectadores sob o céu mineiro, será projetada um pouco da gloriosa era do catch catarinense. Nosso curta "Flecha Dourada" é um dos 102 filmes selecionados para a vigésima primeira edição da Mostra de Cinema de Tiradentes e será exibido dia 24 de Janeiro, às 19h. A diretora e sócia da Novelo Cíntia Domit Bittar estará presente para representar o filme e participar dos debates. E, certamente, a primeira pergunta que farão será: "Como surgiu a ideia?". 

Ficamos sabendo da existência desses lutadores através de uma matéria de jornal nos enviada por uma amiga. Também éramos totalmente alheios à cena da luta livre e do catch em Florianópolis, entre 1950 e 1980. Fomos então até a casa do Seu Cairê, o próprio Flecha Dourada, a fim de conhecer a pessoa por trás do mito. Fomos recebidos com muito entusiasmo e vontade de fazer acontecer o filme! Passado um tempo, formatamos o projeto como um curta-metragem de documentário. A maior dificuldade foi traduzir essa história em formato audiovisual dada a escassez de material de arquivo. Em vídeo, mesmo, não havia nada! Durante a primeira conversa com o Cairê, ficamos sabendo da vontade de passar a roupa do Flecha para seu filho, a fim de perpetuar a cultura através das gerações. Cíntia, diretora, e Maria Augusta, roteirista, se apropriaram dessa vontade para transformá-la em dispositivo narrativo. Então, a história, no fundo, seria sobre o legado deixado por um pai para um filho. Tínhamos um ponto de partida, afinal! Mas não bastava, pois queríamos também dar conta de proporcionar um panorama sobre a história do catch em Florianópolis. Já previmos mais personagens no roteiro, como os outros lutadores, bem como cenas de lutas entre eles. Fechamos o projeto e inscrevemos no Prêmio Catarinense de Cinema, que é o nosso edital estadual de fomento ao audiovisual - aliás, saudades do edital :(. Como uma surpresa boa, veio a notícia de que o projeto fora contemplado! 

Marcamos um segundo momento de conversa com Seu Cairê, desta vez com os demais lutadores do ringue Flecha Dourada (chamavam mesmo de Golden Flecha!). Ali, descobrimos histórias divertidas e uma nostalgia legítima desses senhores que se reencontravam depois de muito tempo! Cíntia não teve dúvidas: vamos fazer de todos personagens! Logo o conceito se concretizou e ficou decidido que seria filmado em um galpão abandonado, remontando ao abandono do próprio esporte pela grande mídia. As entrevistas e as interações entre eles foram filmadas através de recursos muito utilizados em filmes de ficção, como travelling, por exemplo, com o objetivo de atenuar ainda mais o limite entre realidade e ficção, bem como é a premissa do próprio catch! Não é à toa que em nenhum momento eles aparecem sem seus uniformes de lutadores. 

Foi uma diária padrão de gravação em um galpão da SC-401 (na antiga Lupus, pra quem é de Floripa lembrar) e dois meses de pós-produção no total. O obstáculo da falta de material de arquivo foi contornado com a participação do animador Javier di Benedicts, que através da pintura e da colagem, deu cores e movimento para as fotografias que Seu Cairê manteve de recordação. 

 

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O Flecha, como costumamos chamar, vem fazendo uma consistente carreira em festivais de cinema. Teve sua estreia em Setembro de 2017, na Mostra Brasil do 28º Festival Internacional de Curtas de São Paulo, foi selecionado para as competitivas nacionais do 27º Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro, do Goiânia Mostra Curtas e do IX Festival do Cinema Brasileiro de Penedo. É uma produção original da Novelo, com produção associada da Sonozoio.