Eu Quero Cordas! - Um pouco sobre a trilha musical de "O Tempo Que Leva"

"Eu quero cordas!". Disso eu tinha certeza: As sensações provocadas pelas imagens exigiam violinos, guitarras, baixos, violoncelos... cordas. Então parti para a elaboração do conceito musical para o filme, certamente uma das etapas que eu mais gosto dentro da produção.  

Depois de trabalhar comigo no documentário "Elas - O Brasil em Munique" e no curta "Qual Queijo Você Quer?", Mateus Mira aceitou novamente o meu convite e encarou o desafio de compor e produzir a trilha musical do "O Tempo Que Leva". Em outras palavras, o desafio de traduzir em música as ideias de uma diretora à qual falta vocabulário musical. Mas sempre acabamos nos entendendo, pois além de telepata o Mateus é muito talentoso e  dono de uma paciência ímpar.  

À esquerda, Fábio Saggin (viola). À direita, Mateus Mira. 

À esquerda, Fábio Saggin (viola). À direita, Mateus Mira. 

O conceito da trilha musical já estava sendo moldado desde que fizemos um promo da história, antes mesmo de rodar o curta propriamente dito. Eu saí pelo centro da cidade de Florianópolis buscando imagens que conseguissem transmitir um pouco do que seria o clima do filme, para que pudéssemos mostrar para outros profissionais convidados e futuros apoiadores e parceiros do projeto. 

Promo do "O Tempo Que Leva", utilizado durante a pré-produção do filme como fonte de pesquisa e referência para os departamentos de criação. 

Sempre gosto de conversar com o Mateus durante a pré-produção, já trocando ideias sobre a narrativa e de que maneira a música está inserida na mesma. Com apenas o roteiro em mãos, constatamos um único ponto definido para a entrada da música, que era no final do filme - música essa que, posteriormente, fora batizada de "Cinética". As outras entradas musicais ficaram mais nítidas conforme eu chegava perto do corte final, na ilha de edição. 

Pra mim, e acho que para o Mateus também, a música mais difícil foi a do início do filme, que recebeu o nome de "Pênsil". De acordo com o que havíamos discutido também com o Gustavo de Souza, que fez o desenho de som do filme, essa música deveria ter elementos metálicos, quase sintéticos, como máquinas. Deveria ser muito ruidosa. Foi difícil achar o tom, pois ali no início o clima apocalíptico já precisava se estabelecer. Ao film, a música ficou tão boa que foi a escolhida para o trailer do filme. 

Trailer oficial, com a música "Pênsil", originalmente na abertura do filme. 

Segue aqui um vídeo que o Mateus mesmo editou e mandou pra mim e pra equipe acompanharmos o trabalho das gravações das músicas, no Estúdio da Onda Sonora, que participa do filme como apoio técnico. Essa música que eles estão gravando é a "Cinética", que encerra o filme.

“O Tempo que Leva” foi um trabalho realmente desafiador. Por não ter uma localização histórica plenamente definida, sabe-se apenas que estamos em um futuro. A narrativa musical buscou acompanhar a forma como a imagem buscou retratar esse contexto. Por outro lado, a história do filme retrata sentimentos intimamente humanos e a escolha por manter presente os instrumentos tradicionais de cordas foi justamente pra provocar essa identificação cultural que temos com a beleza e a contemplação.
— Mateus Mira

Posso dizer que o desafio de se chegar a uma ideia clara do que pretendíamos foi vencido. O vídeo e a música se tornaram tão complementares que o exercício de dissociá-los tornou-se impossível. Abaixo, os arquivos das três que compõem, por fim, a trilha musical do "O Tempo Que Leva". 

Créditos das Músicas: 

PÊNSIL
Composição Original e Produção: Mateus Mira
Cellos: Tácio César Vieira
Contrabaixos: Alexandre Ari Piazza

DOIS
Composição Original e Produção: Mateus Mira
Cellos: Tácio César Vieira
Contrabaixos: Alexandre Ari Piazza

CINÉTICA
Composição Original e Produção: Mateus Mira
Arranjo: Heitor Bittencourt e Mateus Mira
Violinos: Débora Remor
Violas: Fábio Saggin
Cellos: Tácio César Vieira
Contrabaixos: Alexandre Ari Piazza

 

 

 

Cíntia Domit BittarComment