Qual Festival Você Quer?

É missão dos produtores, quando não há uma distribuidora envolvida, traçar uma estratégia visando que o filme chegue ao maior número de telas possíveis. Essa estratégia é definida a partir de uma análise que passa pela temática, gênero e atmosfera da obra, data de finalização, duração do filme, entre diversos outros fatores. Também é preciso definir as janelas que serão exploradas: festivais, televisão, internet, salas de cinema e também plataformas menos convencionais como programação de companhias aéreas, redes de transporte, e espaços públicos, por exemplo. E é muito importante que se mantenha ao longo do processo um acompanhamento rigoroso para que, caso exista algum equivoco na estratégia (ou alguma surpresa) esta possa ser corrigida ou intensificada.

O curta “Qual Queijo Você Quer?” foi a primeira oportunidade para que as produtoras Ana Paula Mendes, Carol Gesser e Cíntia Domit Bittar (também roteirista e diretora do filme) trabalhassem a elaboração e execução de uma estratégia de difusão. A ideia, desde o início, era de prolongar ao máximo a vida comercial do filme, mantendo-o o máximo tempo possível em circulação. Afinal, era o primeiro trabalho com o selo da Novelo, produtora recém-formada na época.

Com o filme finalizado, surgiu a dúvida de por onde começar. Optamos pelo Festival do Paulínia, muito prestigiado na época e com poucas chances. Pensamos que se fosse selecionado, poderíamos seguir apontando para os grandes festivais do circuito A brasileiro. E o filme entrou. Assim iniciou a carreira do Queijo.
— Cíntia Domit Bittar, produtora e diretora.

A estreia no Paulína Festival de Cinema foi em Julho de 2011. Hoje, depois de 2 anos de circuito e sua seleção para mais de 60 festivais nacionais e internacionais, é possível avaliar o trabalho que foi feito e traçar um perfil da recepção do filme.

O curta foi inscrito em 150 festivais nacionais e internacionais. Em geral, acredita-se que um filme muito bem sucedido e com uma boa estratégia de difusão consegue ser selecionado em um de cada 6 festivais inscritos, resultando em uma "média ótima". Uma “média boa”, de um filme com uma carreira honesta, deve ficar em uma seleção para cada 13 inscrições. Esses números podem parecer bem absurdos, mas é fundamental levar em conta que grande parte dos festivais precisa selecionar 20 curtas-metragens entre 1000 inscritos e que, sabendo exatamente qual é o público alvo ativo de seu filme, você não explora tão intensamente certos nichos que estão fora da estratégia. E também vale sempre a máxima “quanto mais você participar, mais chances tem de ganhar”.

Mas alguns fatores nos surpreenderam no processo: um foi que o filme foi extremamente bem recebido na Alemanha, onde já foi exibido mais de 10 vezes. Outro foi que, a partir do momento em que o filme começou a circular em festivais internacionais, apareceram inúmeros convites para outros festivais, às vezes até muito inusitados. E, por fim, para nossa grande surpresa, o filme recebeu o prêmio do júri popular de melhor curta-metragem no Festival Shnit (Shnit - International Short Film Festival), que aconteceu simultaneamente em 10 países (Argentina, África do Sul, Egito, Suíça, Singapura, Costa Rica, Alemanha, Áustria, Nigéria e Estados Unidos); ou seja, ele recebeu uma votação expressiva em todos estes países espalhados pelos cinco continentes.

Depois de uma carreira bem estabelecida no circuito principal de festivais nacionais, a difusão se virou para a Europa e América Latina. Pelo seu referencial melodramático, imaginava-se que o filme encontraria grande espaço e aceitação em países como a Espanha, México e Argentina. Esse era o foco mais previsível dentro da estratégia de difusão do filme, levando em conta o estudo dos perfis dos festivais. E, de fato, estes países receberam o filme com grande entusiasmo.
— Carol Gesser, produtora.

Respeitando o período de circulação do filme em festivais e prezando pelo seu ineditismo, partimos para as possibilidades de venda do filme e exibições em outras janelas. Pudemos experimentar diferentes tipos de licenciamento e ter contato com uma variedade de players nacionais e internacionais. O filme foi vendido para o Canal Brasil (TV paga nacional) e em seguida, através de nosso agente de vendas internacionais (Some Like it Short, da Espanha), chegaram as primeiras vendas para canais estrangeiros, como o France TV e NBC Itália. A grande surpresa veio com as vendas para janelas menos tradicionais na carreira de um curta, como em aeronaves, através da TAP Linhas Áreas, e online, com a iTunes Store Brasil, serviço de distribuição de conteúdo online da Apple, onde o filme figura entre os Best Sellers na categoria drama, ao lado de aclamados longa metragens nacionais. 

É incrível presenciar a potencia comercial de um bom filme. Mesmo no formato curta metragem, nosso filme experimentou plataformas e janelas variadas no Brasil no exterior. Realmente é um filme bastante especial, cuja excelente receptividade nos enche de alegria e orgulho, ano pós ano.
— Ana Paula Mendes, produtora.

Depois de um tempo, o filme passou a ser exibido também em mostras e sessões públicas para a comunidade. Essa etapa começou com a sessão especial de estreia do filme em casa, na cidade de Florianópolis, quando foi convidado para ser exibido durante a reabertura da sala de cinema do Centro Integrado de Cultura (CIC) - estreia que reuniu cerca de 500 pessoas, mesmo que em uma data desprivilegiada, no dia 30 de Dezembro de 2011. Desde então, o "Queijo" recebeu convites de diversos cineclubes nacionais, assim como sessões especiais em território internacional.   

O sucesso e a aceitação do filme nos fizeram ter uma dimensão real da universalidade do tema do filme. E, para além da visão comercial e estratégica, essa é a melhor recompensa que nós, como realizadores, podemos ter. Mas o melhor diagnóstico que pode ser feito dessa experiência é que quando um filme encontra seu público, ele é incontrolável.

Para saber mais detalhes sobre a carreira do filme, veja a lista completa de festivais oficiais por onde o filme passou.